
Padre José Mozart
Por Pe. José Mozart Tanajura Júnior
A pessoa humana é chamada a participar do excelso desígnio de Deus que lhe reserva a vida plena e eterna na comunhão de seu amor. É para o amor eterno que somos chamados! Deus quer que todos se salvem (1Ts5,9) e cheguem a conhecer plenamente o seu sublime projeto que consiste em unir-se a Cristo Jesus. Isso nos leva a afirmar que o ser humano possui uma dignidade elevada diante de Deus e que esta mesma dignidade deve ser buscada e preservada em nossa caminhada de fé. O dogma da Assunção de Nossa Senhora se insere nesse desígnio divino de promover a dignidade da pessoa humana. O Senhor nos mostra que não vivemos para a morte , mas, ao contrário, vivemos para a eternidade. Somos, pela graça e misericórdia divina, feitos para a comunhão eterna! Acolher o dogma da Assunção é acreditar que Deus nos convida a participar de sua gloriosa benevolência.
O papa Pio XII, em 1950, definiu o dogma referido por meio da Constituição Apostólica “ Munificentissimus Deus” na qual aponta os elementos fundamentais que asseguram a autenticidade da questão. É bem verdade que, desde os tempos remotos, seguindo uma grande tradição e apoiado nos ensinamentos dos santos padres, a crença na assunção de Maria já estava bem solidificada em vários lugares do mundo. Costuma-se celebrá-la tanto no Oriente como no Ocidente, denominada de festa da Dormição ou da Assunção de Santa Maria, presente nos livros litúrgicos, entre eles o Sacramentário Galiceno e o Sacramentário Gregoriano, bem como na liturgia Bizantina. Além disso, é conveniente lembrar que os Santos Padres e Doutores faziam referência a este mistério celebrado nas homilias e sermões.
É digna de veneração, Senhor, a festividade deste dia, em que a Santa Mãe de Deus sofreu a morte temporal; mas não pôde ficar presa com as algemas da morte Aquela que gerou no seu seio o Verbo de Deus Encarnado, vosso Filho, Nosso Senhor (Sacramentário Gregoriano, apud: MD 17,p. 9).
Outrossim, têm-se diversos testemunhos dos pastores e dos teólogos que ratificam esse privilégio mariano. Os escolásticos apresentaram as bases deste privilégio mariano corroborando o amor filial de Cristo como elemento motivador para o levar a querer a assunção de sua mãe ao céu, bem como a incomparável dignidade da sua maternidade divina.
Mas em que consiste o dogma da Assunção de Maria?
Pio XII expressou sobre este dogma relacionando-o ao dogma da Imaculada Conceição, pois estes dois dogmas estão estreitamente conexos entre si. “A Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminando o curso da vida terrestre foi assunta em corpo e alma à glória celestial”(MD 44, p.20). O Papa afirma que, mediante um privilégio singular, a Virgem Maria venceu o pecado e devido a esta vitória não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem mesmo de aguardar a ressurreição do corpo até ao fim dos tempos. “Assim a solenidade quer assegurar a Maria uma superioridade única também no termo de sua existência terrena, e isso sublinha mais uma vez a sua posição já notável no zênite da humanidade” (VVAA,1979:161).
Um dado curioso se encontra na estatística da consulta de Pio XII por ocasião da reflexão acerca do dogma da assunção:
(…) das 1181 respostas, só 6 duvidaram de ser ou não revelada a Assunção, enquanto 22 recusavam adesão, não por questão de conteúdo, mas por julgarem inoportuna uma proclamação ex cathedra. As outras 1169 respostas foram incondicionalmente afirmativas (COLLANTES, 2003: 424-425).
Com efeito, a assunção de Maria nos faz refletir sobre a fé na nossa própria ressurreição,pois somos chamados à comunhão dos santos vivendo a dimensão de eternidade em corpo e alma. Nesta perspectiva, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que, de fato, “a Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (CIC 966). Torna-se, portanto, uma maneira concreta de aumentar a confiança no amor de Deus que capacita seres humanos a acolherem o projeto salvífico do Senhor (MULLER & SATTLER, 2000:169). Desse modo, A Assunção de Maria nos insere no mistério da perfeita configuração com Cristo Ressuscitado. É o júbilo da bem-aventurança e glorificação de sua alma imaculada e de seu corpo virginal (cf. MC, 7).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Petrópolis: Vozes, 1999.
COLLANTES, Justo. A Fé Católica – Documentos do Magistério da Igreja. Das Origens aos nossos dias. Trad. Paulo Rodrigues. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 2003.
MULLER, Alois & SATTLER, Dorothea. Mariologia. In: SCHNEIDER, Theodor (Org.). Manual de Dogmática. Vol II. 2ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
PAULO VI. Marialis Cultus
PIO XII. Munificentissimus Deus. Petrópolis: Vozes, 1951.
VVAA. O Culto a Maria Hoje. São Paulo: Paulinas, 1979.